Tarefas e anotações das aulas: como criar um hábito curto e constante
Quando a criança volta do curso e a gente pergunta “O que você fez hoje?”, muitas vezes a resposta é “Não sei” ou “Nada”. Às vezes nem fica claro se tem tarefa, e quando a gente pergunta sobre o material da próxima aula, só então vem aquele “Ah, verdade”.
Esse tipo de conversa acontece bastante em casa. Principalmente logo depois que a criança chega, se o conteúdo da aula não for anotado nem que seja rapidamente, até a noite boa parte já se perdeu. Foi justamente em conversas assim, bem do cotidiano, que eu fui entendendo por que as anotações de aula fazem diferença.
Numa situação dessas, colocar na frente da família um caderno grosso ou um aplicativo complicado costuma dar efeito contrário. Quando anotar vira um peso, ninguém registra nada. O ponto principal é fazer anotações curtas e constantes.
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Por que a gente acaba não anotando
Em geral, existem dois motivos. O primeiro é ter campos demais. O segundo é não saber em que momento anotar.
Data, matéria, conteúdo, tarefa, material, observações. Quanto mais item aparece, mais fácil é largar tudo depois de poucos dias. E quando a ideia é “Depois eu anoto”, normalmente não se anota mais nada.
O primeiro passo é reduzir o formato ao mínimo
Para uma anotação funcionar, três linhas já bastam.
- o que foi feito hoje: um resumo em uma linha
- tarefa: se tiver, anota; se não tiver, escreve “não tem”
- material para a próxima aula: só quando existir
Se der para terminar em até três linhas, a chance de o hábito continuar é muito maior. “30% do conteúdo avançado, leitura como tarefa, levar apostila na próxima semana” já resolve. Se, ao olhar depois, isso permitir entender o fluxo daquele dia, a anotação já cumpriu o seu papel.
Quando anotar: o horário cria o hábito
O melhor momento costuma ser logo depois de buscar a criança ou antes do jantar. Quando ela acabou de chegar, a memória ainda está fresca e a conversa sai com mais naturalidade.
Se o responsável vai buscar pessoalmente, funciona muito bem perguntar rapidinho no carro e anotar na hora. Se a criança volta de ônibus ou sozinha, ajuda criar a rotina de perguntar assim que entra em casa: “Tem tarefa hoje?” e registrar ali mesmo.
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Quando as anotações se acumulam por matéria, o fluxo aparece
Se você vai acumulando as anotações por matéria, elas acabam virando uma informação bem útil. Em matemática, por exemplo, dá para perceber em qual unidade a criança ficou mais tempo; em inglês, fica mais claro há quantos meses ela está usando o mesmo material.
Isso também ajuda na hora de conversar com a escola ou com o curso. Poder dizer “Desde abril ele ainda está em frações” deixa a conversa muito mais concreta. Em vez de uma preocupação vaga, você passa a falar com base em registro.
Registrar junto com a criança também pode funcionar
Se a criança já tiver certa autonomia, também vale deixá-la registrar diretamente a tarefa e os materiais. No começo pode parecer chato, mas muitas vezes ela passa a se interessar quando vê o próprio histórico se formando. A autonomia nos estudos também nasce desses hábitos pequenos.
Para criar o hábito de anotar, o que faz diferença não é abrir mais campos de preenchimento, e sim montar uma estrutura em que poucas informações já bastem para preparar a próxima aula. Foi por isso que, no Gerenciador de Aulas, eu pensei num fluxo em que, logo depois da aula, você deixe uma nota curta sobre o que foi feito e o que precisa ser visto depois, e antes da aula seguinte consiga revisar isso rapidamente. O registro continua sendo manual, mas, quando essas notas curtas vão se acumulando, fica muito mais fácil reencontrar o fio da aprendizagem.
Se for necessário, dá para guardar junto fotos de material ou de atividade, mas isso é apoio. O principal continua sendo uma anotação curta em texto, que possa ser revista em 10 segundos antes da próxima aula. Para quem é responsável pela rotina da criança, o que mais ajuda na prática é parar de repetir à noite a mesma pergunta: “O que foi feito hoje mesmo?” Foi dessa necessidade real que nasceu essa forma de pensar o produto. Um registro que continua existindo vale mais do que um registro perfeito que nunca é feito.